


Se a sua jornada pelo Roteiro Graça e Gratidão busca por paz e um profundo sentimento de acolhimento, o seu ponto de encontro com o sagrado está no coração de Itaúna. Localizada na charmosa e arborizada Praça Dr. Augusto Gonçalves, a Igreja Matriz de Sant’Ana abre suas portas para contar uma história de devoção, resiliência e arte religiosa.
Para entender a grandiosidade da atual Matriz, precisamos fazer uma viagem no tempo. A história da cidade começou a ser escrita precisamente neste solo, em 1739, quando os primeiros povoadores e mineradores da antiga Paragem do São João ergueram um rústico oratório de madeira para abrigar a imagem da padroeira.
Com o fortalecimento da comunidade e a necessidade de um local definitivo de culto para cumprir promessas e professar a fé comum, foi obtida uma provisão oficial em 9 de dezembro de 1750. Nascia assim a primeira igreja fixa do vilarejo: a histórica Capela de Santana, iniciada naquele mesmo ano e solenemente inaugurada em 1765. Esse templo primitivo cumpriu o seu papel de unificar o arraial que crescia a passos largos e, décadas mais tarde, passou por reformas até ser dedicada ao culto que hoje conhecemos como a Capela do Rosário.




À medida que o século XIX avançava e Itaúna prosperava com a chegada das primeiras indústrias e a expansão urbana, a antiga e singela igrejinha setecentista tornou-se pequena demais para acolher o número de fiéis que se multiplicava.




O sentimento religioso e o desejo por um templo imponente que refletisse a nova fase da cidade motivaram a comunidade a erguer um novo farol de fé. Com o esforço coletivo e doações de terras e recursos, a paróquia mudou-se definitivamente para o novo e amplo edifício. A atual Igreja Matriz de Sant’Ana foi planejada e erguida para ser o coração espiritual definitivo da cidade, capaz de abraçar a todos e abrigar as grandes festas que moldam a nossa cultura até hoje, como a tradicional e colorida Solenidade de Corpus Christi


Esculpida em madeira nobre (cedro), a belíssima imagem — que retrata Sant'Ana sentada com a Virgem Maria ainda menina ao colo — presumivelmente veio de Portugal na primeira metade do século XVIII. Ela foi encomendada e doada ao antigo arraial por um devoto abastado como forma de cumprimento de uma promessa, tornando-se o pilar devocional da região.
Um Presente à Comunidade: Reconhecida como um bem móvel de valor inestimável e tombada como patrimônio público, essa preciosa escultura passou recentemente por um minuciosos e delicado processo de restauração técnica. Cada detalhe de sua policromia original foi cuidadosamente recuperado, devolvendo à comunidade e aos turistas uma obra de arte sacra colonial de beleza única e rara expressividade, pronta para abençoar novas gerações de peregrinos.






