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A histórica Igreja de Nossa Senhora do Rosário ergue-se no alto Morro do Rosário como um dos recantos mais emocionantes, carregados de ancestralidade e guardiões da gênese de Itaúna. Mais do que um templo de arquitetura colonial e eclética, este espaço sintetiza séculos de devoção popular, herança afro-brasileira e a viva resistência cultural que atravessa gerações.

A história da colina remonta às primeiras ocupações da região às margens do Rio São João, onde os pioneiros iniciaram, em 1739, a construção de um primitivo oratório de taipa de pilão próximo a um cruzeiro. Ali foi entronizada a imagem de Sant'Ana, trazida de Setúbal, Portugal, em 1735.

Com a criação da Paróquia de Sant'Ana em 1841, a antiga capela passou a funcionar como matriz.

 

No entanto, em 1840, a população negra, livre e escravizada, havia erguido no alto do morro a capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Movidos por diretrizes pastorais e pela busca de facilitar o acesso aos fiéis espalhados pelas margens do rio São João, ocorreu em 1853 a célebre troca de oragos (nomes e funções) entre as capelas: a Matriz de Sant'Ana desceu para o centro do arraial, e o Rosário dos Negros subiu para o monte.

 

A transferência oficializou-se em 1856, impulsionando a ampliação do templo, que culminou nas pinturas internas finalizadas em 1875 pelo artista Pedro Campos, auxiliado por Antônio José dos Santos.

O pequeno templo original manteve suas feições primitivas até meados do século XX, quando passou por uma reforma conduzida pelo Mestre de Obras Antônio Lopes Cançado. Essa intervenção conferiu à igreja uma feição eclética e popular, muito característica do gosto da época.

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A fachada principal destaca-se pelo tratamento ornamentado, com platibandas, cimalhas e um frontão enriquecido por elementos geométricos e volumétricos que dialogam harmoniosamente com o partido arquitetônico retangular da construção. As portas e janelas de madeira revelam o esmero artesanal do período, mantendo a imponência da entrada principal e o ritmo equilibrado das aberturas laterais

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O interior abriga preciosas pinturas murais finalizadas em 1875 pelo artista Pedro Campos, com o auxílio de Antônio José dos Santos. Em intervenções posteriores, o espaço também recebeu pinturas decorativas em tom marmorizado que emolduram com delicadeza a arquitetura da nave. Os altares setecentistas e o altar-mor conservam a sobriedade e a beleza da talha em madeira tradicional mineira. Os ornamentos sagrados e os nichos preservam imagens de profunda devoção popular, criando um ambiente onde a arte sacra e a fé caminham lado a lado.

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Até os dias de hoje, a Igreja do Rosário é o palco vibrante e oficial da tradicional Festa do Reinado (Congado), expressando um festejo que une o sagrado e o profano, a coroa e o tambor. Em meio a rituais de coroação, cortejos da Corte Real e cânticos de louvor à Virgem do Rosário e a São Benedito, o adro da igreja transforma-se no coração pulsante da cultura afro-mineira em Itaúna.

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Portal mantido pela Prefeitura de Itaúna por meio da Secretaria de Cultura e Turismo

(37) 3249-9766

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